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Qualidade das Sementes

É costume usar a expressão “qualidade de semente” em anúncios, artigos de extensão, e conversações gerais, mas raramente se explica ou discute o que ela significa, em detalhes. Como resultado temos confusão acerca do seu significado e importância. A qualidade de sementes só tem significado em relação ao seu propósito ou função; e este consiste na produção de plantas saudáveis e na obtenção de boas colheitas. Sementes de alta qualidade possuem grande capacidade para produzir uma população adequada de plantas vigorosas, saudáveis em condições variáveis de solo. Por isso, possuem bom potencial para resultar em colheitas prósperas e rentáveis. Por outro lado, sementes de baixa qualidade têm competência muito limitada para produzir uma população adequada de “plantas aceitáveis”. E só em condições muito favoráveis ocorre tal processo; sendo que frequentemente não o executa quando as condições são estressantes, ou não propícias. Entre estes extremos, alto e baixo, há, claro, um leque de opções, com diferentes desempenhos e capacidades.

O termo qualidade, quando aplicado a sementes (e a maioria dos outros objetos) resume o estado dos atributos ou propriedades que contribuem ou determinam o desempenho. Na etiqueta do produto são declarados os estados de alguns atributos de qualidade. Estes, e outros, afetam o desempenho das sementes no campo. Existem quatro categorias nas quais, normalmente, a qualidade de semente é classificada. Estas relacionam-se, mais ou menos, ao aspecto de desempenho afetado: genético, físico/ biológico, fisiológico, e de sanidade. As características genéticas têm influência dominante na produtividade da colheita. Aspectos como potencial de rendimento, tolerância ao estresse e resistência a doenças são por ela definidos. Pode-se notar nesta dois atributos: autenticidade varietal e pureza varietal.

Já a qualidade físico/biológica pode atingir a produção de vários modos. Lotes onde se encontram sementes de vários tamanhos dificultam o uso de equipamentos modernos. Se a limpeza da semente deixa a desejar, há possibilidade de contaminar a plantação com vegetais indesejáveis, como ervas daninhas ou mesmo outras culturas. Infestações daninhas através de sementes mal processadas são bastante comuns e não só afetam a colheita imediata como podem causar problemas persistentes por anos a fio. Deve ser notado que aspectos físico/fisiológicos determinam primordialmente a “aparência”. Esta não afeta desempenho diretamente, mas em geral influencia a decisão do comprador de semente.

Características fisiológicas determinam quão rápida e completamente as sementes produzirão uma população de plantas vigorosas que são, claro, uma pré-condição para a expressão ou desempenho do componente de qualidade genético. Também é o componente ou característica de qualidade mais frequentemente considerado e causa maior de preocupação. Os agricultores esperam que a variedade de sementes comprada corresponda aos parâmetros expressos na etiqueta. Eles esperam que as sementes estejam bem limpas, livres de contaminação, e relativamente uniformes em tamanho. Afinal de contas, tal característica é detalhada na etiqueta.

Mas a germinação, o atributo principal de qualidade fisiológica, também é declarado na etiqueta de semente. Então, por que a preocupação? Ela deriva da compreensão geral de que a germinação é um atributo de qualidade listada na etiqueta de semente que muda com o tempo, e que não é a única determinante de desempenho de campo em termos índice percentual de emergência. Uma experiência comum consiste na verificação de que um lote de semente de boa germinação declarada às vezes produz plantas pobres. Embora o fracasso de sementes na obtenção do resultado almejado pode ser consequência de tensões severas contra o solo, em lugar de uma deficiência em qualidade fisiológica, a esta é que frequentemente se atribui a culpa pelo mau desempenho.

Um segundo aspecto de qualidade fisiológica, não listado na etiqueta de semente, é o vigor, que no entanto recebe muita atenção nos últimos tempos. Vigor é uma propriedade de sementes que germinam, relacionado à capacidade delas para cumprir sua função satisfatoriamente, isto é, como desejado pelo agricultor, sob diferentes condições de solo.

Medir e monitorar vigor de semente são tarefas importantes em programas de garantia de qualidade modernos. Desde que o comprador de semente é o beneficiário da atenção crescente dada ao vigor através de companhias produtoras, a ótica atual dos comerciantes não prevê informações na etiqueta. A sanidade é atualmente a característica que recebe mais publicidade mas, talvez, também a mais abandonada. Não há nenhuma dúvida de que organismos nocivos são carregados nas sementes, e podem afetar o desempenho e produtividade da colheita. Podem, afetar; e não necessariamente afetarão. Os EUA, na perspectiva do autor, são um país grande com muitos agro ecossistemas muito bem servidos para produção de sementes, sem ou com problemas de sanidade de semente mínimos.

Desde que as comunicações e o transporte se desenvolveram, sementes ou outros produtos, como por exemplo frutas e legumes, podem ser produzidas nas localidades mais favorecidas e entregues em todo o país. Por exemplo, o feijão, passível de séria contaminação bacteriana, além de doenças viróticas em áreas no Oeste, onde os patógenos são absolutamente controlados, pode ser distribuído aos horticultores domésticos e processadores ao longo do país. Há muitos outros exemplos de produção de semente especializada nos EUA Ocidental, especialmente em desertos irrigados. Limpeza rigorosa e graduação de sementes de colheita eliminam muitas sementes infectadas. Finalmente, muitas sementes são tratadas com substâncias químicas que as desinfetam e em alguns casos as protegem contra fungos e bactérias do solo. Finalmente, torna-se evidente que qualidade de semente não é uma propriedade simples. É um complexo de atributos interagindo nos diferentes aspectos de desempenho. Uma pergunta comum: qual característica é a mais importante Como repetidamente enfatizado aqui, elas são todas importantes; todavia a variedade (genética) e a germinação/vigor (fisiológica) devem ser colocadas em primeiro lugar.

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